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ABPM ONLINE – Boletim Informativo ABPM 712

Nº 712 - FEVEREIRO DE 2021

CENÁRIO ATUAL DO ABASTECIMENTO DE MADEIRA

Fatores externos e internos, como a pandemia e o aumento de chuvas, têm gerado problemas no abastecimento de madeira no Brasil – e seu preço tem subido

Um ano após o surgimento da pandemia da covid-19 no Brasil, o setor madeireiro, assim como outros segmentos industriais, começa a sofrer com a falta de oferta de matéria-prima para diversos setores de sua cadeia. Uma nova cultura de ‘home office’ e de ‘olhar para o próprio lar’ fizeram com que consumidores investissem na reforma e na modernização de suas casas – e utilizaram a madeira como protagonista neste movimento, seja na compra de móveis, pisos ou de peças brutas que serviram como instrumento para o’Do It Yourself’ de novos e amadores marceneiros em seus refúgios caseiros.

É o que acredita o CEO da TWBrazil, Leonardo Puppi, empresa afiliada à ABPM. Ele revelou que o setor tem sofrido com o aumento da demanda por madeira e, por consequência, com os preços ‘mais salgados’ de toras de pinus e eucalipto, por exemplo.

“Infelizmente é uma reação em cadeia. Houve um incremento nos preços da matéria-prima florestal sem precedentes. Aliado a isso, o preço dos insumos na indústria madeireira também cresceu muito além dos índices de inflação. Aço e produtos químicos, de origem mineral, como o cobre, cromo e arsênio, tiveram um reajuste de quase 50% num período de um ano. E impactam diretamente na indústria de preservação da madeira”, explica Puppi.

Ele ressalta, inclusive, que outros fatores, que independem da vontade do produtor, também têm influenciado no aumento do preço da madeira. “Felizmente, durante a pandemia, houve pouco fechamento de indústrias madeireiras por contaminação dos trabalhadores. Mas houve alguns. Além disso, o que tem ocorrido nos últimos meses é o excesso de chuvas, que tem dificultado a extração de toras nas florestas. Mas isso faz parte do negócio em determinadas épocas e o setor já está acostumado com isso”, acrescenta.

O CEO da TWBrazil também salienta que o preço defasado das florestas de pinus mais antigas também gerou um ‘desbalanceamento’ do mercado brasileiro. “Aliado a isso, com a indústria da construção civil no Brasil arrefecida nos últimos anos, a tora mais grossa destinada às serrarias não estava tão demandada. Mas com a previsão de aquecimento da economia, por motivações políticas e de saúde pública, aliada à publicação da “ABNT NBR 16936 – Edificações em light wood frame”, o preço da Tora grossa de Pinus voltou a ser atrativo. Os investimentos florestais em Pinus tendem a ter uma valorização muito grande nas próximas décadas”, avalia.

Já Juliano Vieira de Araújo, presidente da Abimci (Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente), não concorda que os preços de produtos de madeira subiram durante a pandemia. Ele afirma que o mercado está ‘estável’ e que apenas houve uma readequação de preços em toda a cadeia produtiva.

“O mercado madeireiro está estável e a expectativa é de que, ao longo do 2021, o viés de recuperação e consolidação do consumo, aliado ao aumento da confiança do consumidor, permaneça. A maioria dos produtos de madeira é de commodities e o mercado é auto regulável na demanda x preços. É notória a consolidação das exportações brasileiras nos últimos anos, fato que se reforçou em 2020 com o crescimento importante dos volumes embarcados pelo Brasil, além da recuperação da demanda no mercado interno”, explica Araújo.

Sobre a possível falta de madeira no mercado, o presidente da Abimci admite que o crescimento do segmento de base florestal poderia ter sido maior na última década. “Se olharmos para os últimos 10 anos, o crescimento da base florestal plantada foi muito pequeno em relação às potencialidades existentes. Certamente poderá crescer muito nos próximos anos. A consolidação de políticas públicas e uma maior participação e investimentos por parte do setor produtivo serão fatores decisivos para esse avanço”, finaliza.

A INDUSTRIALIZAÇÃO NA CONSTRUÇÃO

Construtora utilizará tecnologia de alto padrão para habitações populares

Você sabe o que é construção industrializada? O conceito se refere a transformação do canteiro de obras em uma linha de montagem, como ocorre com outros setores industriais, sendo o automobilístico um deles. Entre as vantagens da construção industrial, podemos citar o uso de matérias-primas selecionadas, maior controle sobre os custos da execução, ganho de qualidade, sustentabilidade e otimização do tempo e redução do prazo de execução.

Em novembro do ano passado, a Tenda, uma das principais construtoras do país, com foco em habitação popular, anunciou a implantação de uma fábrica de construção industrializada no interior de São Paulo no primeiro semestre de 2021. Segundo o presidente da companhia, Rodrigo Osmo, não há nada parecido na América Latina. A empresa afirma que utilizará tecnologia de alto padrão para habitações populares com o novo modelo.

A construtora também realizou testes e estudos e optou pela adoção e utilização da técnica construtiva “wood frame”, sistema que utiliza perfis de madeira para criar obras baseadas na rapidez e sustentabilidade, método também muito utilizado nos EUA e em países da Europa.

Essa novidade representa uma grande inovação, não só pela tecnologia avançada, que consiste no uso de enquadramentos de madeira, mas também na parte processual, pois a construção passa a fazer parte do modelo off-site. Isto significa que parte dos móveis será produzida em uma fábrica, também no interior de São Paulo, para depois serem transportadas para os canteiros de obras de montagem e acabamento.

A Tenda espera que a operação chegue ao seu “breakeven”, ou seja, ao seu ponto de equilíbrio, em 2025. Até lá, a construtora pretende consumir 3% de sua receita líquida anual nos próximos quatro anos. Além disso, a empresa espera atingir 10 mil unidades ao ano em 2026.

Mais uma excelente oportunidade para o uso da madeira tratada com maior valor agregado, seguindo os preceitos técnicos contidos nas normas da ABNT, em especial, na NBR 16.143 – Preservação de Madeira – Sistema de categorias de uso.

MANUAL DE IDENTIDADE DO QUALITRAT

A ABPM disponibilizou aos associados no final do ano passado, o Manual de Identidade da Marca Qualitrat. Quando um produto é criado, com ele, nasce uma marca, uma mensagem e um propósito. Quando essa marca cresce, ela precisa ter uma base para que sua identidade visual e comunicação nunca se perca. Esse manual explica como o associado deve utilizar corretamente a marca Qualitrat da ABPM. O objetivo é uniformizar a comunicação visual através da padronização dos elementos gráficos. A consolidação da marca Qualitrat requer sempre o uso correto de todos os seus elementos. Portanto, é importante ao associado que está inserido no programa, seguir as indicações de uso da marca, para garantir a qualidade na implantação da identidade. A ABPM disponibiliza esse Manual de Identidade da Marca Qualitrat para todos os seus associados que aderirem ao selo de qualificação.

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Expediente
Boletim informativo mensal da Associação Brasileira de Preservadores de Madeira (ABPM)
Presidente: Gonzalo Antonio Carballeira Lopez – IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas)
Diretor Vice-Presidente: Elcio Lacerda Lana – Lonza do Brasil Especialidades Químicas Ltda
Diretor Secretário: Jackson Cesar Correa Alves – Madtrat Madeiras Tratadas
Diretor Tesoureiro: Silvio José de Lima – Montana Química S/A
Coordenadora Técnica: Gisleine Aparecida da Silva – IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas)

Contato: [email protected] – www.abpm.com.br
Jornalista responsável e redação: Fábio Machado

Av. Professor Almeida Prado, 532 | Prédio 65 – Sala 09 | Cidade Universitária – São Paulo (SP) – CEP: 05508-901